quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Exposição: Crise da Biodiversidade, a natureza ameaçada



Nas últimas décadas, assistimos a uma notável tomada de consciência ambientalista por parte da sociedade devido à crescente apreciação da interdependência entre o bem estar social e o equilíbrio natural da biosfera. Esta nova consciência ambiental precipitou uma reação por parte dos países pertencentes às Nações Unidas e signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), do qual o Brasil faz parte, levando-os a reconhecer a necessidade de um plano de ações para reverter de forma emergencial os impactos nefastos produzidos pela perda global de biodiversidade. Entretanto, os esforços em torno destas ações globais revelaram a colossal desproporção entre o conhecimento adquirido e a real dimensão da trama biológica que constitui a biodiversidade. A simples tarefa de nomear as espécies existentes na Terra expõe o problema de forma vívida, gerando números literalmente estratosféricos: já foram descritas aproximadamente 1,4 milhões de espécies de organismos vivos, mas esse número representa apenas uma fração da biodiversidade real que está estimada entre 14 e 40 milhões de espécies. O desenvolvimento de políticas públicas eficientes que resultam no uso sustentável dos recursos biológicos depende diretamente deste conhecimento básico e do seu papel na manutenção do equilíbrio ambiental. A desproporção observada entre o que se conhece e o que ainda resta a ser descoberto é chamada pelos cientistas de “impedimento taxonômico” e constitui um dos mais sérios entraves à formulação de medidas eficientes que ajudem a alcançar um nível aceitável de desenvolvimento sustentável.
No Brasil, a questão ambiental se faz cada vez mais presente em nosso dia a dia. Entretanto, a reação da sociedade diante deste quadro alarmante ainda é incipiente. Isto se deve às poucas oportunidades oferecidas aos professores, estudantes, profissionais da mídia e à população em geral para que se familiarizem com a complexidade do tema. A desinformação que permeia o debate sobre a crise da biodiversidade não condiz com sua relevância e atualidade e aponta para a necessidade de um esforço concentrado de divulgação por parte dos organismos especializados. Os Museus têm papel fundamental nesse processo de difusão científico-cultural.
Motivado por essa conjuntura, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) planejou a exposição temporária Crise da Biodiversidade: a natureza ameaçada, a ser inaugurada em dezembro de 2008. Enriquecida por um ciclo de palestras com especialistas da área e de filmes temáticos, esta exposição pretende contribuir efetivamente para o debate sobre a preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Com fotografias de André Pessoa, filmes da DGT Filmes e exemplares únicos ou raros do seu próprio acervo científico, a exposição do MZUSP abrirá para os visitantes uma rara oportunidade de encontro entre arte e ciência, uma forma possível do exercício de cidadania, a partir do olhar, da reflexão, da formação de opinião e participação nos destinos da sociedade. (Hussam El Dine Zaher Curador)

Visite a exposição, até 17/5, Site

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