terça-feira, 14 de abril de 2009

Indústria da soja deixa de comprar produção feita em áreas recém-desmatadas da Amazônia

Monitoramento da safra 2008-2009 descobriu soja plantada em áreas recém-desmatadas. A boa notícia é que as empresas do setor reafirmaram seu compromisso com a floresta, anunciando boicote a essa produção e corte de crédito de quem desafiou a moratória em vigor desde julho de 2006. A medida foi anunciada nesta terça-feira (14/4) pelas principais empresas comercializadoras de soja ligadas à Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e à Associação Nacional das Empresas Exportadoras de Cereais (Anec).

A reação da indústria é uma resposta clara aos resultados do segundo monitoramento do Grupo de Trabalho da Soja (GTS), que detectou fazendas que plantaram o grão em áreas recém desmatadas na Amazônia.

"Quem achou que a moratória não era para valer vai perder dinheiro e mercado. A indústria da soja está dando um exemplo de respeito à floresta e aos consumidores, que não querem ser co-autores da destruição da Amazônia", disse Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.

De acordo com os dados divulgados, na última safra, foram monitorados 630 polígonos em 46 municípios do bioma Amazônia, totalizando 156.714 hectares, tendo sido identificadas 12 áreas com soja em aproximadamente 1.396 hectares de área plantada.

Para as ONGs que integram o GTS, a metodologia de monitoramento mostrou-se eficiente, mas terá que ser aperfeiçoada, já que o padrão de derrubada da floresta na Amazônia está mudando.


Segundo análise dos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2002 as áreas acima de 100 hectares representaram 55% do total desmatado na região, enquanto os desmatamentos menores do que 25 hectares ocuparam 20%. Em 2008, a participação de grandes desmatamentos caiu para 22% da área total desmatada e as derrubadas menores que 25 hectares pularam para 47%.


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